Colegiado discute abastecimento d’ água para agricultura no Sertão

Em 30/09/2019
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O uso da água da Transposição para agricultura e criação de animais foi discutido em audiência pública da Comissão Especial das Barragens da Alepe, nessa segunda. Produtores de Terra Nova, no Sertão Central, e Cabrobó, no Sertão do São Francisco,  reivindicam o abastecimento emergencial da Barragem Nilo Coelho, em Terra Nova, com água do reservatório Serra do Livramento, em Cabrobó.

A medida evitaria a perda das culturas já plantadas, como explica o secretário de infraestrutura de Terra Nova, Silvestre Araújo. “O Nilo Coelho foi abastecido uma vez, o Ministério autorizou, mas agora está parado. E a gente está atrás de ver essa possibilidade de eles, por um período de uns três dias, abastecer, depois fechar, porque a época é de produção de cebola muita, né? Tem as barragem, a barragem está vizinha, mas… E a gente sem água…”

A liberação da barragem Serra do Livramento depende de autorização do Ministério do Desenvolvimento Regional. Integrante do Eixo Norte da Transposição, o reservatório chegou a abastecer Nilo Coelho em caráter experimental, e muitos agricultores se animaram com a possibilidade de ter água o ano inteiro.

A secretária de infraestrutura de Pernambuco, Fernanda Batista, garantiu que toda a documentação pedida pelo Ministério foi enviada. Ela se comprometeu a reforçar o pedido pessoalmente, em Brasília, ainda nesta semana.

Outra reivindicação dos produtores discutida na audiência  foi a perenização do reservatório Nilo Coelho e também do Riacho Grande, entre Salgueiro e Cabrobó. Fernanda Batista disse que estudos mais aprofundados precisam ser feitos, já que a água da Transposição é muito cara: 78 centavos por metro cúbico.

A secretária executiva de infraestrutura, Simone Rosa, destacou a necessidade de melhorar a eficiência dos projetos de irrigação para evitar os desperdícios. Apenas no Projeto Nilo Coelho, a Agência Nacional de Águas, ANA, estima a perda em 39 litros por segundo. A gestão de recursos hídricos no Nordeste foi criticada pelo pesquisador da Fundação Joaquim Nabuco João Suassuna. Ele sugeriu que primeiro se investigue o volume de regularização da Nilo Coelho para evitar problemas por excesso de uso.

Embora o consumo humano seja prioridade da Transposição, o deputado Lucas Ramos, do PSB, autor do requerimento para realizar a audiência, defendeu a importância da água do São Francisco para a economia dos municípios sertanejos. “Cabrobó espera a abertura das comportas e a perenização do Riacho Grande para proporcionar a oportunidade na vida de dois mil trabalhadores da agricultura familiar, e, em Terra Nova, a irrigação de mil e oitocentos hectares. Isso quer dizer mais emprego, mais renda, mais desenvolvimento”.  

A partir de janeiro, o Governo Federal deve passar a operação da Transposição para os Estados beneficiários. Fernanda Batista disse que Pernambuco está se estruturando para assumir essa tarefa e já repassou à Agência Nacional das Águas, ANA, a demanda para consumo humano. Escritórios itinerantes serão montados para fazer o levantamento das necessidades para a agropecuária nas regiões em que houver excedente, como é o caso do Eixo Norte.